O trote é uma tradição medieval, europeia, introduzido no Brasil junto com as primeiras universidades, por influência de portugueses que vinham principalmente da universidade de Coimbra, inicialmente na Europa a ideia era, dos alunos da área urbana civilizarem os estudantes que vinham de áreas rurais, e por isso eram considerados sem cultura ou civilidade, as roupas dos novatos eram queimadas e as cabeças raspados, a partir da premissa que isso evitaria a proliferação de doenças comuns na época. Assim hoje tem-se a cultura de raspar a cabeça quando se é aprovado na universidade.

Como uma espécie de rito de aceitação para as pessoas que entram na faculdade, essa prática ganhou espaço no mundo todo, inicialmente como “brincadeiras ou pegadinhas.” Atualmente esse tipo de ação tem se mostrado muitas vezes perigosa, abusiva e um clássico exemplo das relações de poder que existem dentro das universidades, e apesar de ser uma prática que fere a dignidade da pessoa humana tem se tornado um símbolo de aceitação social.

Uma pesquisa realizada por estudantes da universidade de São Paulo, mostra que os cursos com maiores índices de violências nos trotes são aqueles com uma maior concorrência, como é o caso de medicina e ainda os cursos onde os alunos são submetidos a maiores pressões acadêmicas.

A violência física não é a única presente nessa pratica, hoje o chamado trote vexatório, onde os estudantes são coagidos a agir de determinada maneira ou cumprir determinadas práticas, sendo expostos, tem se tornado popular.

Em muitos desses trotes as ações podem ser consideradas crimes do ponto de vista penal já que podem resultar em ações como lesão corporal, o fato de cortar o cabelo de alguém sem sua devida permissão pode ser considerado lesão corporal leve, violência psicológica, ao expor, apelidar com termos pejorativos, que normalmente se relacionam a raça ou a sexualidade do calouro, estupro ou até mesmo os crimes contra a honra, calúnia, acusar alguém de ato criminoso, difamação, espalhar fato mentiroso sobre alguém ou injuria, dizer algo desonroso diretamente para a pessoa, normalmente essa se materializa como injúria real, pôs acorre através de fatos desonroso ou agressão física.

Todas essas condutas vão de encontro com algumas garantias fundamentais, desrespeitando a dignidade e os direitos humanos. Algumas universidades proíbem esse tipo de ação em suas dependências, como é o caso das universidades no estado de São Paulo, mas isso não é suficiente para erradicar tais atos. O fato de muitos estudantes não denunciarem, e de ainda não termos uma lei que criminalize diretamente os trotes, contribui para que parte dessas condutas permaneçam impune todos os anos.

O que se caracteriza como violência nos trotes universitários?

Todo ato de violência física, moral ou psicológica que exponha ou fira a dignidade, aos quais os calouros são submetidos pelos veteranos dentro dos processos de ingresso na universidade, para os estudiosos é mais um ritual de exclusão do que de integração.

Como proceder quando for vítima de um trote violento?

É importante que o estudante denuncie esse tipo de pratica, tanto aos órgãos da própria universidade, mesmo que  essa declare que não compactua com tais atos, normalmente eles ocorrem em suas dependências, assim as instituições possuem parte da responsabilidade, podendo ser punida de maneira civil ou administrativa, além disso elas devem apurar os casos para que os responsáveis possam responder devidamente. Os órgãos da justiça devem ser acionados, a partir de denúncias feitas pelas vítimas em delegacias o caso chegará ao ministério público e quando apurado, será devidamente punido.

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