4 LIVROS DA LITERATURA NACIONAL QUE REFLETEM ANÁLISES JURÍDICAS SOBRE OS PROBLEMAS SOCIAIS E POLÍTICOS

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Segundo a terceira edição da pesquisa retratos da leitura no Brasil, o brasileiro lê em média 4 livros por ano sendo que apenas 2,1% desses são lidos até o final. Além desse baixo índice, outro problema que pode ser percebido é que existe uma preferência de livros estrangeiros em detrimento a literatura nacional, apesar de termos obras maravilhosas. Esse texto tem como objetivo incentivar a leitura, inspirar e chamar atenção para algumas obras muito importantes que podem te levar a refletir diversos contextos do passado e do presente em várias regiões da nossa sociedade.

O CORTIÇO
O romance publicado em 1980 por Aluísio de Azevedo é uma obra naturalista, que retrata a vida das pessoas em um cortiço no Rio de Janeiro. Apesar de fictícia, a obra assemelha-se muito a realidade do Brasil do século XIX, é perceptível o contraste de classes, e a diferença de vida das pessoas pobres que viviam no cortiço para os burgueses, representado na história pelo personagem Miranda. Além de retratar esses problemas sociais a obra dialoga de maneira indireta com o episódio histórico da reforma urbana ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX, para modernizar a capital do país os cortiços foram destruídos e as pessoas que ali viviam não tiveram nem uma garantia de moradia, assim foram para as áreas periféricas sendo causa da formação do que hoje é chamado de “favela”.

O QUINZE
Uma obra escrita pela cearense Rachel de Queiroz em 1930, retrata a história de Chico Bento e sua família, que viviam em uma fazenda no Quixadá e São Assolados pela seca 1915, sem nem uma interferência governamental para garantir os direitos fundamentais das pessoas que passam por problemas relacionados à seca, essa família como muitas outras do Nordeste brasileiro saem rumo à cidade grande em busca de melhores condições de vida. No desenrolar da história é perceptível várias situações onde a dignidade da pessoa humana não é garantida, como por exemplo o momento em que o filho do protagonista para de andar por consequência da fome. Ainda hoje o Nordeste brasileiro é assolado pela seca e o posicionamento do Estado não evoluiu em relação a isso.

CAPITÃES DE AREIA
Um romance escrito por Jorge Amado e publicado em 1937, num contexto da ditadura do Estado Novo (governo de Getúlio Vargas) tem um alto teor de crítica social, é por muito considerado comunista e traz nitidamente as ideologias do autor. Narrando as aventuras de crianças de rua, a problemática social traz principalmente uma crítica a dinâmica capitalistas e ao governo que não se importam como deveriam com as pessoas necessitadas. As crianças sem assistência familiar ou de alguma entidade governamental não possuem seus diretos assegurados e passam a sobreviver a partir de furtos que cometem.

GABRIELA CRAVO E CANELA
Também escrito por Jorge Amado e publicado em 1958 o romance traz uma crítica principal ao sistema político e moral vigente na sociedade do final do século XIX para início do século XX. A cidade de Ilhéus no interior da Bahia é dominada pelo poder dos coronéis, donos das terras que produzem cacau, estes detentores do poder político importam-se apenas com seus próprios interesses e não com o bem coletivo. As eleições são manipuladas a partir de um nítido sistema de voto de cabresto, assim como a justiça que atende as vontades dos coronéis. Também pôde-se perceber como era a realidade da mulher, tratada como objeto sem direitos, sempre submissa as vontades do marido.

Todas essas histórias foram escritas há anos, mas a aplicabilidade de alguns desses problemas ainda ocorre nos dias de hoje.

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