Fonte : https://m.extra.globo.com/noticias/rio/metro-do-rio-retira-propaganda-de-estacao-apos-acusacoes-de-racismo-21838389.html

Após acusações de racismo, peça publicitária é retirada de estação de metrô, no Rio de Janeiro.
A propaganda na estação Antero de Quental, no Leblon, trazia a interligação das zonas Norte e Sul da cidade. Entretanto, por separar um casal de brancos e outro de negros em cada extremidade da imagem, a população se manifestou alegando que havia um racismo geográfico subliminar na imagem publicitária.

Internautas manifestaram seu repúdio através de comentários nas redes sociais, ironizando o fato da concessionária representar a zona norte, caracterizada por bairros de baixa renda, pelo casal de negros e a zona Sul, bairros de classe média alta da cidade, pelo casal de brancos.
Deixa eu ver se adivinhei: o casal de negros representa a Zona Norte, e o de brancos, a Zona Sul. Lamentável”, escreve a internauta Thalita Santos, no Facebook. Outra usuária das redes é mais incisiva: “Que vergonha. Infeliz demais essa propaganda claramente racista”, diz Débora Fonseca. *
A peça divide as opiniões da população, como no caso de Leandro Ferreira, arquiteto, de 35 anos, a publicidade não propaga o racismo.

— Não consigo ver como racismo. A Linha 4 pega toda a Zona Sul, incluindo a Rocinha, que tem baixo IDH. Também pega Uruguai, que é uma área mais nobre da Zona Norte. Além disso, a imagem não indica que cada casal representa uma zona da cidade. Não consigo ver esse viés — argumenta o arquiteto.*
O presidente nacional da Comissão da Verdade da Escravidão Negra do Brasil da OAB, o advogado Humberto Adami, se pronunciou afirmando a existência de um preconceito subliminar.

— Pode ser encarado como difusor de um racismo geográfico, ao indicar que moradores de uma região são todos negros, em especial os de baixa renda, enquanto que outros, de maior renda, são brancos. Pode não ser intencional, o que prova que o racismo está escondido no interior das cabeças, em especial os publicitários da campanha do metrô — diz o advogado.

Nessa situação, volta a tona a Democracia Racial, apresentada em Casa Grande Senzala, por Gilberto Freyre. O Brasil, apesar de ser um país miscigenado, ainda não foi pretexto para acabar com o racismo, pois se encontra enraizado nas mentes do país.
Depois da repercussão da imagem a empresa concessionaria expôs a seguinte nota:
“O MetrôRio é totalmente contrário a qualquer forma de discriminação e prima pela valorização e promoção da diversidade. Em relação à peça publicitária ‘Conectando o Rio de ponta a ponta’, a Concessionária lamenta e pede desculpas por ter gerado uma interpretação oposta às convicções da empresa e informa que vai retirá-la da estação, em respeito às pessoas que se sentiram ofendidas. O MetrôRio está sempre aberto às opiniões e às críticas da população, buscando assim a evolução e melhoria de seus serviços e práticas”.

Racismo no Brasil

A constituição repudia o racismo, assim como o terrorismo, no artigo 4 inciso VIII. O crime de racismo é inafiançável e imprescritível, está prevista na Lei 7.716 de 1989, por atingir uma coletividade de indivíduos indeterminada, a lei aborda diversas situações que caracterizam as ofensas.

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