De acordo com Observatório da Violência Letal Intencional – OBVIO, já foram registrados mais de 2000 assassinatos no período de janeiro a outubro do ano de 2017. Dentre as vítimas, grande parte caracteriza-se como moradores da periferia com baixíssima escolaridade, onde por diversos fatores são atraídos para o mundo do crime.

De acordo com o coordenador do OBVIO, Thadeu Brandão, tal situação era de se esperar pelo fato das estruturas de segurança pública e as estruturas que deveriam reduzir tais taxas, não funcionam. Ele acredita que até dezembro a taxa de homicídio chegue a 2500 ou a um valor próximo ao estimado.

As causas para esse índice exorbitante são diversas, entretanto, a falta de eficiência do poder do Estado e a ausência de políticas públicas eficazes contribuem de modo significativo para esse aumento.

“A desestrutura na capacidade do Estado de provir uma segurança operativa, uma segurança ostensiva e também investigativa contribui para isso.”, explica Thadeu Brandão.

Cerca de 80% dos homicídios do Rio Grande do Norte ocorrem em Natal, 10% na região de Mossoró e os outros 10% estão distribuídos entre os demais 150 municípios do Estado, onde tal desproporcionalidade é caracterizada, por exemplo, pela concentração urbana e a ausência de infraestrutura de segurança.

Em uma análise científico-criminal sobre a evolução da mortandade nos anos de 2014-2017, realizada pela equipe do OBVIO, observou-se que apesar do mês de outubro se apresente menos violento que os demais meses deste ano, nesta breve análise fica claro que o ano de 2017 é o ano mais violento da história do Rio Grande do Norte.

Dentre os assassinados, grandes partes moram em regiões periféricas ou favelas, possuem baixo índice de escolaridade e são geralmente pretos ou pardos.

O coordenador explica que isso se adentra no perfil de exclusão, que são elementos condicionadores que fazem com que esses indivíduos estejam presentes tanto no mapa da desigualdade social, quanto da violência.

Em uma matéria realizada pelo G1 em agosto, foi relatado que em menos de 8 meses, o número de homicídios foi 25,8% maior que o registrado ano passado, representando uma média atual de 6,80 mortes por dia.

Além disso, o texto abordava que diante das taxas, o Fórum de Segurança Pública do RN – entidade que reúne instituições de segurança pública do estado – queria entregar a Robinson Faria (governador do Estado) medidas efetivas para a melhoria da segurança pública, cobrando ao mesmo “bom senso”.

“A violência e a insegurança são promovidas pelo próprio governo do Rio Grande do Norte, quando, para se esquivar de sua responsabilidade, insiste em criar bodes expiatórios para seus próprios erros. A prova disso é que chegamos a 1.500 CVLIs (Condutas Violentas Letais Intencionais) nesses 222 dias de 2017”, critica o especialista em gestão e políticas de segurança pública Ivenio Hermes, que também é coordenador do Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO).

O que é o OBVIO?

O Observatório da Violência Letal Intencional é um órgão responsável por contabilizar e analisar os crimes contra a vida no Estado do Rio Grande do Norte.

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