Na assembleia ocorrida na terça-feira, 31 de outubro, os professores decidiram em aprovar a greve, estabelecendo a data a partir do dia 10 de novembro.
Segundo a categoria, a paralização e consequência dos constantes atrasos nos salários dos servidores. Ainda declarou que a confirmação do comando por tempo indeterminado com unidade em todo o funcionalismo do RN será determinada após a participação das assembleias de outras categorias no decorrer da semana.
De acordo com Rivânia Moura, presidenta da Associação dos Docentes da UERN (ADUERN): “Saímos dessa assembleia com a perspectiva de que esta greve será muito forte. Tanto pela situação limite a qual o Governo do Estado nos colocou, quanto pelo compromisso da categoria com a defesa da universidade. Hoje tivemos a oportunidade de ver que os professores e professoras da UERN estão indignados e não vão aceitar os atrasos salariais”.
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O direito de greve é legitimado no Brasil?
Sim, segundo a Constituição Federal de 1988 que determina:
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

A greve é um direito dos trabalhadores, dessa maneira só pode ser decidida e aprovada pelos próprios trabalhadores. Por caracterizar um Direito Social, deve defender interesses sociais, não podendo ser instrumento de reivindicações políticas ou de outros ideais.
O direito de greve por servidores públicos é particularmente determinado pelo Artigo 37 da CF 88, onde expressa em seu inciso VII:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
Entretanto a tal lei específica não foi determinada, ainda se encontra em debate.
Nessa perspectiva, entende-se que os servidores possuem direito à realização de paralizações, desde que dentro dos limites estipulados em lei.
Contudo, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro de 2016, decidiu que os funcionários públicos em greve, devem sofrer descontos de salário pelos dias não trabalhados. Exceto em casos de que o motivo da parada seja: de atraso de salário ou quebra de acordo trabalhista. No caso da UERN, a greve está dentro dos limites da legalidade.
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A questão da inexistência de lei específica que regulamente a greve de servidores públicos:
Devido a inexistência de legislação específica, aplica-se a lei da greve de iniciativa privada aos funcionários públicos, por analogia. No ordenamento jurídico é definida pela Lei 7.783/89:
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
Parágrafo único. O direito de greve será exercido na forma estabelecida nesta Lei.
Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador. […]
[…] Art. 7º Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o contrato de trabalho, devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser regidas pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho.
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