Após ter se encontrado com o Papa Francisco, Evo Morales se tornou alvo de protestos, vindos não apenas do Vaticano, mas sim de várias denominações religiosas. O motivo desses protestos foi o fato das mudanças no Código Penal Boliviano, que passou a criminalizar algumas atividades religiosas, sendo uma delas a conversão religiosa.

Parte da doutrina aponta que a nova lei contradiz o artigo 4 da Constituição da Bolívia, que prevê liberdade de culto. Após a nova lei, os líderes religiosos entenderam que não poderão mais fazer manifestações fora dos templos, o que consequentemente impediria de fazer os retiros, procissões e caminhadas. Os líderes religiosos também são contra o artigo 157, que legaliza o aborto. E esses não são os únicos setores da sociedade que estão protestando contra. Vários outros grupos também estão fazendo suas manifestações contra o novo Código Penal boliviano.

O artigo 88 prevê que acolher e receber pessoas com a finalidade de recrutamento para participações religiosas, são sujeitas a pena de 7 a 12 anos mais a multa.

A nova lei que também legalizou o aborto, como foi dito anteriormente, acabou limitando a liberdade de consciência dos médicos, tendo em vista que, os mesmos não poderão recusar a operação de um aborto em casos que a intervenção é indispensável. Deve-se ressaltar que, já foi promulgado, e deve entrar em vigor daqui a 140 dias.

Os líderes evangélicos e católicos bolivianos estão preocupados quanto as mudanças. Em 2013, Evo Morales já tinha chamado atenção para as condições religiosas do país. No mesmo ano, Evo, foi denunciado por sites de comunidades católicas, na justificativa de que o presidente queria fundar a ‘’Igreja Católica Apostólica Renovada do Estado Plurinacional’’, que substituía a Igreja Católica Apostólica Romana na Bolívia.

Os protestos ficaram tão intensos que a fronteira que que ligava o Brasil com a Bolívia foi fechada. Apenas no último fim de semana que foi liberada. De acordo com a polícia boliviana, os protestos foram pacíficos, não causando assim nenhum dano.

Todo comércio boliviano ficou fechado e só voltou a funcionar no último sábado (13). Médicos e motoristas ainda aguardam uma resposta das autoridades para que possam voltar a rotina normal de trabalho.

Há tensão social quanto as medidas tomadas após a vigência da nova ligislação. Sendo essas medidas: equiparação da conversão religiosa e recrutamento para confronto armado; justificava para tortura em determinados casos; punições para pessoas que se pronunciem contra o governo; punições para manifestações contra o governo.

Atualmente há um processo legislativo para anular a nova lei, que ainda não entrou em vigor. A votação já foi concluída pela Câmara dos deputados, agora segue para o Senado e, depois, irá passar pelo presidente Evo Morales para a sanção. Ainda assim, os manifestantes continuam pedindo que a nova legislação criminal seja revogada antes mesmo de entrar em vigor.

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