Quando se imagina que nada mais poderá nos surpreender em matéria de desserviço, eis que surge alguém e consegue fazer aquilo que muitos tentam: falar sobre algo que não conhece e destilar sua carga de preconceito. Uma Desembargadora, aquela do caso Marielle Franco, a qual possui um histórico de ofensas gratuitas, dessa vez teve seus 15 minutos de fama por ofender uma professora potiguar que tem síndrome de Down.

Não satisfeita pelos episódios anteriores conseguiu imprimir mais um lastimável comentário quando soube que Débora, que nasceu com síndrome de Down, professora em uma escola particular de Natal, há 13 anos, havia ganho o prêmio Darcy Ribeiro de Educação (exemplo no desenvolvimento de ações educativas). A magistrada expôs a seguinte opinião : “Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora com síndrome de Down!!! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem”? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?

Julgar pessoas simplesmente por elas possuírem alguma deficiência ou limitação e achar que não podem fazer atividades que outras pessoas ditas “normais” fariam é no mínimo falta de conhecimento. Principalmente vindo de alguém que exerce a função como a dela, que “deveria” ser ética, proba e despida de preconceitos.

É na contramão de opiniões e pensamentos equivocados como esses que encontramos pessoas que não enxergam a deficiência como um impedimento, barreira ou falta de qualificação. Pelo contrário, buscam nela (deficiência) a igualdade de amor, fraternidade, vendo que o normal é ser “diferente”.

ADOÇÃO X PRECONCEITO

O bom exemplo veio de um casal morador de Betim – MG, Joyce Carla dos Santos e seu marido Fabrício que viajaram até Brasília para conhecer a pequena Larissa de 10 meses que vivia num abrigo na Capital Federal. A criança que nasceu com microcefalia foi entregue para adoção pela sua mãe ainda na maternidade e, foi averiguado que na família não existe ninguém em condições de criar a menina.

Quando se fala em uma pessoa com deficiência, é fácil concluir que se trata de alguém totalmente incapaz física ou mentalmente, a qual não teria condições de fazer as coisas mais simples da vida. Mas isso se deve, talvez, porque as pessoas ainda carregam consigo um certo preconceito, um desconhecimento sobre o assunto.

Por se tratar de uma doença que limitará sua vida em alguns aspectos, a tendência é que poucos ou nenhum dos pretendentes à adoção queiram assumir a responsabilidade de adotar a criança com essas condições. Tanto que dos mais de 40 mil pretendentes habilitados no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), apenas Joyce e Fabricio manifestaram interesse em conhecer a criança. “A microcefalia assusta muito no início, mas nós enxergamos a Larissa muito além da limitação física, nunca nos prendemos a isso”, disse Joyce.

Esse tipo de pensamento negativo acaba refletindo no número de adoções. Isso porque os pretendentes a constituir família através desse instituto restringem no seu cadastro o “tipo” de crianças/adolescente que gostariam de adotar. Dados do relatório do CNA mostram que apenas 8% das crianças com algum tipo de deficiência foram adotadas entre 2013 e 2018.

Apesar da condição da criança ser difícil do ponto de vista financeiro e emocional e embora Larissa ter algumas limitações, isso não impediu que a menina ganhasse um novo lar. Larissa foi adotada e levada a Betim, onde está recebendo todos os cuidados médicos. Segundo Joyce, “o Zika é uma doença nova, o futuro dela é incerto. O que eu sei é que Larissa é a companheirinha que eu sempre quis, e assim será por toda a vida”.

 

FONTE: CNJ

 

 

 

 

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