Nascida com o nome de Jagadish em Karnataka na Índia, Akkai se identificou com o sexo feminino desde os seus 7/8 anos, sempre sendo castigada por seus comportamentos de menina, vivendo em um país onde é muito forte a definição de gêneros, castigando aqueles que não se encaixam no padrão social, inclusive foi tratada como doente mental, o que levou a tentativas de suicídio aos 11 e 12 anos de idade.

A rejeição da sua família, amigos e sociedade levou Akkai a entrar para as estatísticas ao se envolver com a prostituição durante 4 anos de sua vida, apresentando esse momento como um dos mais difíceis da vida. Sobre isso ela afirma:

“Eu não escolhi me tornar uma pessoa antissocial ou uma pessoa não desejada na sociedade. Minha luta foi para aceitação e inclusão social, para a transformação e a descriminalização contra o sexo biológico que estava comigo desde o meu nascimento”.

Apesar de encontrar-se em uma situação comum para os/as transgêneros na Índia, Akkai conseguiu se tornar uma grande referência em toda a Índia devido a consciência adquirida com Sangama, um grupo que trabalha com o empoderamento de minorias como lésbicas, gays, transgêneros e profissionais do sexo. Ao conhecer Sangoma em 2004, ela encontrou não só aceitação, mas um propósito, lutar pelos direitos dos seus semelhantes, que enfrentam o mesmo problema, iniciando os seus trabalhos como ativista.

Em Sangama, Akkai aprendeu a falar inglês, começou a ter responsabilidades como se comunicar com diversas áreas da sociedade, iniciando discussões sobre gênero, sexualidade e trabalho sexual com o judiciário, mídia e políticos no geral. Não levando só problemas sexuais, mas também falando sobre outras partes marginalizadas da sociedade como mulheres e pobres.

Ainda em seu trabalho enquanto ativista, Padmashali foi a primeira mulher transexual a conseguir licença para dirigir, foi também convidada pelo presidente para participar da cerimônia de posse do Chefe de Justiça da Índia, fato importantíssimo pois destaca em larga escala seu papel enquanto inspiração para outras transexuais, principalmente em um país em que há uma lei que proíbe a homossexualidade. Em vigor desde 1860, enquanto a Índia era governada pela Inglaterra, foi imposta a seção 377 do Código Penal Indiano  que condena a homossexualidade.

A seção 377 do IPC (Indian Penal Code – Código Penal Insdiano) refere-se a ‘ofensas não naturais’ e diz que quem voluntariamente tiver relações sexuais contra a ordem da natureza com qualquer homem, mulher ou animal, será punido com prisão perpétua, ou com prisão de qualquer descrição por um período que possa prorroga por dez anos, e também é obrigado a pagar uma multa.

Através da união de artistas, feministas, acadêmicos e ativistas, Akkai fundou a Ondede, organização feminista que luta pelos direitos das mulheres cis e trans. Não só esses pontos são tidos como pauta para a organização, elas combatem diretamente com o legislativo, exigindo leis efetivas sobre estupro, violência doméstica, direitos civis e a manifestação direta contra a seção 377.

Akkai também foi a primeira transexual a se casar na Índia, inclusive com outro ativista transgênero, concretizando ainda mais a sua importância na Índia. Ela é hoje uma das vozes dos direitos humanos da Índia, criticando o estado em relação aos direitos sexuais, percebendo a importância de educar as pessoas que fazem as leis perante os problemas das minorias sexuais.

A importância de ter uma referência trans na índia é indiscutível, Akkai é uma inspiração para milhares da comunidade LGBTQI, ela estimula todos a acreditarem e lutarem pelos seus direitos. Ela não só transformou a sua vida, mas também está mudando o modo como a sociedade encara as classes minoritárias. O desafio enfrentado é pela aceitação de ser quem é, ter os seus problemas discutidos e assistidos, além de uma vida digna de inserção social através de políticas públicas eficientes que possam mudar a realidade dos transgêneros e de toda a minoria LGBTQI.

A cidadania LGBT é muito silenciada constantemente, pois é muito difícil conquistar políticas efetivas devido o desinteresse do governo, algo que é vivenciado aqui no Brasil com frequência. A iniciativa popular não cessa mas a barreira constante vivenciada se encontra no congresso nacional, onde existem inúmeros políticos conservadores que acabam colocando sua crença acima de uma lei que beneficia a diversas minorias.

O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, demonstrando a necessidade urgente de um política que criminalize a LGBTfobia, assim como a Índia, os desafios vivenciados lá também são vivenciados no Brasil, apresentando o legislativo, executivo e judiciário como sistemas que não assistem os campos da sociedade excluídos. Akkai assume a lentidão da evolução dos direitos exigidos ao falar:

“Ser um transgênero não é fácil. As pessoas riem de você, discriminam você. Você não tem acesso a ônibus, banheiros públicos e espaços de escritórios. Mas as coisas estão mudando agora.”

Fonte: Facebook

Porém, apesar dos diversos desafios enfrentados, é nas poucas conquistas que é enxergado o progresso. O conservadorismo quer excluir direitos de uma parcela da população, porém a resistência é destacada através de pessoas como Akkai Padmashali, ativista reconhecida pelo seu trabalho mundialmente, devido a importância da pauta defendida por ela como direito essencial para uma sociedade justa.

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