Junho acabou e com ele o apoio das marcas com a causa LGBTI. Nesse mês é celebrada a luta de todas as lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais, etc., por um mundo mais igualitário. A abertura que existe hoje em dia para falar sobre a sexualidade une pessoas que não se encaixam no padrão heterossexual, criando mercados a partir disso, pois essas pessoas se identificam e vão gastar o seu dinheiro em algum lugar.

O dinheiro rosa (pink money) é o termo usado para representar o poder de consumo dessa comunidade, ou seja, o lucro gerado pela comunidade LGBTI. As empresas cada vez mais visam adquirir públicos maiores, atingindo diferentes camadas sociais para poder dessa forma ganhar mais dinheiro, aí que entra o pink money, visto que muitas das vezes empresas que não apoiam verdadeiramente a causa fingem um suporte para poder conquistar esse público.

Durante o mês de junho é possível perceber o apoio de diversas marcas com a causa LGBTI, é arco-íris e pride (orgulho) para todo lado. Os produtos e ações voltadas a esse tipo de consumidor visam conquistar essas pessoas com o rótulo de marca inclusiva que defende a causa e pretende assim conquistar a fidelidade dos mesmos.

De acordo com a Associação Internacional de Empresas Out Leadership a comunidade movimenta quase meio trilhão de reais, totalizando R$ 420 bilhões apenas no Brasil. Diversas companhias já aderiram a abraçar a diversidade e saem ganhando muito com isso, pois esse mercado em sua maioria é facilmente conquistado com o apoio necessário que os façam se sentir incluídos.

A inclusão é uma palavra forte quando falamos sobre a comunidade LGBTI, que em sua maior parte das estatísticas pode ser classificada como GGGG e branca. Isso ocorre porque há um recorte imenso nas pesquisas, pois dentro da sigla é clara a evidência maior para com casais homossexuais formado por dois homens e muitas vezes brancos.

A representatividade gay, cis gênero e branca é a estampada nas marcas porque são essas pessoas que têm mais condições para gastar o seu pink money e são elas majoritariamente o alvo das empresas. Enquanto transgêneros tem uma expectativa de vida de 35 anos e apenas 0,02% das pessoas transexuais estão nas faculdades em todo o Brasil, a outra letra tem casa própria, carro e dinheiro para gastar com todo lazer oferecido especialmente para elas.

A discrepância entre as pessoas da mesma comunidade é gigante, enquanto umas são exaltadas e desejadas outras simplesmente não são bem-vindas. A partir dessa análise é perceptível que essas marcas não se importam com todos presentes na sigla, apenas com o dinheiro daqueles que têm. Dessa forma fica impossível para aqueles que não pertencem a classe B ou A poderem se sentir representados e inclusos, aquele espaço não pertence a eles, pertence a um público específico.

A problemática com o pink money vai além da inclusão parcial dentro da própria comunidade, mas como também na própria sociedade. Muitas das empresas que “apoiam” têm condições de trabalho análogas à escravidão, ou comete atitudes racistas com os próprios clientes ou funcionários, ou atém mesmo não respeita e defende mulheres em posições de poder.

Nós que pertencemos a uma minoria temos o dever essencial de levar todos com a gente quando somos colocados em uma posição de privilégio como ocorre com os gays de elevado poder aquisitivo em relação ao pink money. A resposta que podemos dar a essas marcas surge com a conscientização, pois muitas vezes estamos consumindo produtos pensando estarmos colaborando com um bem estar social quando na verdade o único ganhador nessa relação de consumo é o empresário.

O conhecimento a partir da problemática desenvolvida nos leva a caminhos mais reais e derruba toda a beleza envolta de um mercado que celebra a diversidade como uma estratégia capitalista. O ideal é ter em mente pensamentos coletivos, ou todo mundo se levanta junto ou ninguém se levanta, só dessa forma teremos uma sociedade justa, igualitária, mais amorosa e respeitosa como tanto defendemos e desejamos.

Comentários do Facebook