Sudão: entenda a crise política

0
223
Fonte: internet/reprodução

Em abril, o presidente do Sudão, Omar al-Bashir foi forçado a renunciar(que estava sendo acusado de crimes ligados à corrupção, como posse ilegal de moeda estrangeira).A população esperava que o ato marcasse um novo recomeço. Mas a turbulência gerou violência e as mortes só aumentam. Os manifestos exigem a entrega do poder aos civis, o País africano vive um momento de tensão em sua política.

Mesmo depois da queda do Omar al-Bashir, que estava sendo acusado de crimes ligados à corrupção, como posse ilegal de moeda estrangeira. que ocupou o cargo por 30 anos, a mobilização continua por todos país. Sudaneses foram às ruas da capital do país, Cartum, para denunciar a repressão e mortes após a queda do presidente, que foi afastado do cargo por militares. Eles querem que o governo seja assumido por um civil.

POR QUAL MOTIVO OS PROTESTOS COMEÇARAM? 

Os protestos começaram em Atbara – localizada no Nordeste do Sudão – em dezembro de 2018. O governo havia tentando acabar com a falta de pão no país, no que gerou o aumento de preço. Revoltados com o aumento, a população foi em direção as ruas, mas a manifestação foi reprimida por autoridades.

O Sudão sofre com uma profunda crise econômica que começou quando a parte sul do país se separou após um referendo em 2011, levando consigo a riqueza do petróleo. Em janeiro, a inflação no país já havia atingido 70%. De acordo com a ONU é um dos países menos desenvolvidos do mundo (em 39º lugar de 47 listados).

O governo declarou estado de emergência na cidade e estabeleceu um toque de recolher, das 18h às 6h. A repressão das manifestações fomentou a raiva da população. Até janeiro deste ano, 24 pessoas haviam morrido, segundo números oficiais; Ativistas afirmaram, que 40 pessoas haviam morrido.

Os manifestantes também ficaram irritados com a escassez de dinheiro em circulação, causada por restrições a retiradas bancárias –  O governo incluir como objetivo de manter o dinheiro nos bancos, que também lutam para encontrar dinheiro.

O atual governo

Os militares que assumiram o poder desde a queda de Bashir enfrentam, agora, pressão da população para entregar o governo a um civil. Eles anunciaram que ficariam no poder por até dois anos. O recente governo suspenderam a constituição do país e impuseram toque de recolher de 22h e 4h, por mês.

O governo atual também é de transição. Os militares ficam no poder até que outra autoridade máxima seja eleita. O abuso desse poder, preocupa. Estima-se que, pelo menos, cem pessoas já tenham sido executadas pela junta militar. Estima-se também que mais de 500 mulheres e crianças tenham sido violentadas sexualmente. O atual governo busca abafar o que está acontecendo, esses números podem ser ainda maiores. Apesar da contribuição dos protestos para a derrubada de Omar al-Bashir, manifestações continuam ocorrendo, agora pedindo que os militares entreguem o poder.

A ONU já se manifestou pedindo o fim do massacre. Contudo, as coisas até o momento permanecem iguais. Os militares afirmaram que estão cientes de que mortes e abusos vêm sendo cometidos, e que pretendem penalizar os culpados.

Qual a importância do Sudão para o cenário internacional?

O Sudão esteve, por um longo tempo, isolado pelas sanções econômicas e comerciais dos Estados Unidos. As sanções foram encerradas em outubro de 2017. O presidente deposto, Omar al-Bashir, buscou melhorar a relação com os EUA, oferecendo cooperação na área de segurança.

Enviou tropas para apoiar uma aliança árabe ao Iêmen, liderada pelos sauditas, para tentar conter a influência iraniana no país. No entanto, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm demorado em entregar ajuda ao Sudão. O Sudão também é uma peça fundamental no Chifre da África, área onde as potências internacionais competem por influência.

O Conselho de Segurança Nacional é o órgão da ONU responsável pela paz e segurança internacionais. Ele é formado por 15 membros: cinco permanentes, que possuem o direito a veto – Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China – e dez membros não-permanentes, eleitos pela Assembleia Geral por dois anos. Todos os membros das Nações Unidas devem aceitar e cumprir as decisões do Conselho.

Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou veementemente a recente violência no Sudão. Os países membros do Conselho de Segurança da ONU também pediram a cessação imediata da violência contra civis e enfatizaram a importância de respeitar os direitos humanos, garantindo a proteção dos civis, responsabilizando os responsáveis ​​e garantindo a justiça. As Nações Unidas apoiam firmemente a União Africana em sua tentativa de colocar o Sudão no caminho de um governo civil.

A Organização das Nações Unidas (ONU) retirou funcionários não essências do Sudão. A ONU dispõe de uma grande presença no Sudão, com funcionários de 27 organismos, que se dedicam sobretudo a ajuda humanitária à população.

Comentários do Facebook