Violência nos Estados Unidos: em menos de 24 horas EUA sofre dois ataques de tiros e deixa pelo menos 29 mortes e dezenas de feridos

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fonte: internet/reprodução

Estados Unidos registra ataques de tiros em menos de 24 horas neste mês de agosto. O primeiro tiroteio ocorreu em uma loja da rede WalMart localizado em El Paso, Texas e logo em seguida foi registrado outro ataque em frente a um bar na cidade de Dayton, Ohio. Juntos, os dois incidentes deixaram ao menos 29 mortes registradas, e dezenas de feridos.

Além disso, o incidente ocorreu em menos de uma semana depois do festival gastronômicos na Califórnia, onde 3 pessoas perderam a vida.

Em El paso, pelo menos 26 pessoas ficaram feridas. O ataque ocorreu em uma loja do WalMart próximo ao shopping Cielo Visto Mall, a poucos quilômetros entre a fronteira dos Estados Unidos e México. O sargento da polícia de El Paso Robert Gomez informou que um homem branco na faixa dos 20 anos foi detido sob suspeita de ser o atirador. De acordo com a imprensa americana, ele seria Patrick Crusius, de 21 anos.

Os primeiros relatos de que havia um incidente no Cielo Vista Mall apareceram por volta das 11h do horário local (14h no horário de Brasília). A polícia afirma ter recebido informações de que havia um tiroteio tanto no shopping quanto na loja da rede Walmart, que fica logo ao lado.

A polícia local e o FBI agora investigam se o tiroteio está relacionado a um “manifesto” nacionalismo branco que foi compartilhado em um fórum online, e que teria sido escrito pelo atirador.

O presidente norte-americano Donald Trump disse que o tiroteio foi “um ato de covardia”. Afirma ele no Twitter “Eu tenho certeza de que falo por todos neste país ao condenar o ato de ódio cometido hoje. Não existem razões ou desculpas capazes de justificar a matança de pessoas inocentes”.

O presidente do México, Andres Manuel Lopez Obrador, disse que três cidadãos mexicanos estão entre os mortos.

Tiros na madrugada em Dayton

As primeiras informações teriam aparecido por volta das 1h da manhã, hora local (2h da manhã pelo horário de Brasília). O ataque aponta o acontecimento na rua, em frente a um bar, no distrito de Oregon. A polícia afirma ter executado o atirador no local. Os corpos das vítimas foram levados a vários hospitais da região.

“Nós tínhamos policiais nas proximidades quando o tiroteio começou, então pudemos chegar lá rapidamente e parar o ataque”, escreveu o departamento de polícia de Dayton no Twitter.

A jornalista, o oficial da polícia de Dayton Matt Carper disse que os investigadores ainda não conhecem as motivações do atirador.

Massacres podem levar os EUA a revisar lei de armas

Em cada novo ataque de tiro registrado no EUA a pergunta sempre é a mesma: alguma coisa vai mudar?

A indignação com os atos de violência vai catalisar alguma espécie de resposta política, como aconteceu no Reino Unido após o massacre em uma escola em Dunblane, na Escócia, ou na Austrália depois dos assassinatos em Port Arthur ou, mais recentemente, na Nova Zelândia, em sequência aos ataques a tiros a mesquitas em Christchurch?

Para os ativistas por um maior controle de armas no país existe uma certa resignação quando uma nova tragédia ganha as manchetes. A ideia é que, se a opinião pública não exerceu pressão suficiente em 2012, no massacre em Newtown, quando 26 pessoas, incluindo 20 crianças, foram mortas em uma escola em Connecticut, dificilmente o fará desta vez.

Algumas particularidades do momento atual, entretanto, podem fazer com que os ataques em El Paso, no Texas, e em Dayton, no Estado de Ohio, tenham desfecho diferente.

Nacionalismo Branco

As causas para os ataques a tiros mais recentes nos EUA são várias, de juventude rebelde nos casos envolvendo escolas em Parkland, na Flórida, e em Santa Fe, no Texas, e distúrbios mentais, no episódio do ataque a um jornal em Annapolis, Maryland, a frustrações ligadas ao trabalho (caso do massacre em Virginia Beach) e brigas familiares, apontada como possível motivação para o massacre em uma igreja em Sutherland Springs, no Texas. O mais mortal desses acontecimentos, o tiroteio em uma casa noturna em Las Vegas em 2017, que deixou 58 mortos, ainda não tem uma motivação concreta.

No caso deste mês de agosto, entretanto, todas as evidências indicam que o massacre em El Paso foi uma ação premeditada e alimentada pela retórica do nacionalismo branco que tem ganhado cada vez mais destaque na política americana.

E, nesse sentido, ele se aproxima tanto do ataque a tiros a uma sinagoga em Pittsburgh no último mês de outubro, que provocou discussões sobre o aumento do antissemitismo nos EUA, quanto dos episódios de violência em uma marcha de supremacistas brancos em Charlottesville em 2017, uma demonstração chocante de força desse movimento.

Ainda que a autoria do manifesto racista postado na internet pouco antes dos ataques e atribuída ao suspeito de ser o atirador, Patrick Crusius, ainda tenha que ser confirmada, alguns fatos importantes sobre o caso devem ser levados em consideração.

O atirador não realizou o ataque em sua cidade natal – mas dirigiu por pelo menos oito horas, do norte do Estado do Texas à cidade que está a poucos quilômetros da fronteira com o México, e abriu fogo em uma área sabidamente frequentada por hispânicos.

Por essa razão, as autoridades locais estão caracterizando o caso como um episódio de “terrorismo doméstico”

Isso coloca o incidente no centro do atual debate nos EUA sobre imigração, segurança de fronteiras e identidade nacional. Os americanos costumavam se perguntar o que levavam jovens em outras partes do mundo a se envolverem em atos de violência política contra inocentes. Agora veem o fenômeno acontecer no próprio país.

Senador pelo Texas, Ted Cruz, que concorreu contra Trump nas prévias republicanas das eleições presidenciais de 2016, condenou a “intolerância contra os hispânicos” do atirador e chamou o episódio de “um ato hediondo de terrorismo e supremacia branca”.

O comissário do Escritório Geral de Terras do Texas, George P Bush, filho do também pré-candidato republicano à presidência em 2016 Jeb Bush, publicou uma declaração afirmando que “terroristas brancos” são “ameaça real e atual”.

Se a ideia de que o nacionalismo branco representa uma ameaça se tornar consenso, a questão passará a ser como confrontá-lo.

Um passo perto do congresso  

Logo após o massacre em uma escola em Newtown em 2012, o Congresso estudou instituir uma série de medidas para endurecer o controle de armas do país, entre elas a ampliação da checagem de antecedentes criminais dos compradores de armas.

Apesar de a medida ter sido apoiada pelos partidos Democrata e Republicano no Senado, uma minoria conseguiu bloquear a tramitação por meio de procedimentos regimentais. O texto não chegou nem a ser apreciado pela Câmara de Deputados, então controlada pelos republicanos.

Essa dinâmica, pelo menos em uma das Casas do Congresso, hoje é diferente.

Quando os democratas reassumiram o controle da Câmara em janeiro deste ano, não demorou para que conseguissem aprovar medidas parecidas com a proposta de 2013 – a primeira vez em 25 anos que a Casa votou a favor de leis mais abrangentes para instituir maior controle sobre o mercado de armas de fogo.

Após os massacres em El Paso e Dayton, aumenta a pressão para que a proposta passe também pelo Senado, controlado pelos republicanos – algo que, até agora, o senador Mitch McConnell, líder da maioria, se recusava a apoiar.

Ele pode conseguir resistir à pressão. E, mesmo que a medida seja colocada em votação, a norma regimental permite que um grupo de apenas 41 republicanos (a casa conta com 100 senadores) bloqueie a tramitação.

Por outro lado, vários dos senadores que apoiaram a medida bipartidária em 2013 ainda têm cargo eletivo. Com uma proposta concreta sobre a mesa da Casa, o Senado é o passo final para que a medida chegue à mesa do presidente, não o primeiro.

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